quinta-feira, 23 de março de 2017

Entrevista Rádio Voz da Planície




“Sou funcionário do Centro Paroquial e Social do Salvador, Técnico Superior de Desporto, e foi a própria Direção que me propôs a actividade, numa primeira fase para as colegas, pois é uma casa cheia de mulheres e com muitos funcionários. A ideia era fazer actividade física para as funcionárias e nesse sentido foi um fracasso, então optou-se por abrir as portas à Comunidade. A partir dai é que acabou por tomar algum “rumo”… foi crescendo, e ao longo destes anos temos experimentado um aumento gradual do número de praticantes. Aquilo que fizemos numa primeira fase, foi essencialmente esse serviço de exercício para a comunidade, mas foi progredindo ou foi evoluindo para o serviço de consultoria online. Portanto, nós sempre bebemos deste conceito social do Centro do Salvador… de fazer o bem, ser altruístas e proativos para a Comunidade, então estes serviços online são essencialmente gratuitos…seja a prescrição de exercício físico, seja a nutrição (temos uma nutricionista a fazer este serviço), seja a reabilitação (também temos um colega de exercício e reabilitação a fazer serviço connosco).  Fazemos também avaliações presenciais gratuitas: avaliação da condição física e dos marcadores de saúde. Estamos também nesta fase a replicar o conceito na Cabeça Gorda, em parceria com a Associação de jovens “Carpe Diem na aldeia”. Temos também o protocolo com a Cáritas Diocesana para ajudar os seus utentes, que eles estão a “reabilitar”, para que estes possam treinar com condições favoráveis, ou até alguns de forma gratuita. Temos também já parceria com o Hospital de Beja na consulta de diabetologia, onde fazemos a prescrição de exercício para diabéticos… enfim, estamos empenhados num empreendedorismo social, não na comercialização de exercício, digamos que oferecemos resultados. 

O projeto continua ligado ao Centro Social do Salvador… é isso?
É a nossa “casa mãe”… já são oficialmente entidades diferentes, mas sim! Até porque há uma  discriminação positiva para todos os colaboradores, clientes/utentes e familiares do Centro do Salvador, por isso, é inevitável, não queremos de forma alguma cortar este cordão umbilical.  

Referias há pouco que estão a aproveitar as novas tecnologias, a internet… para fazerem os vossos serviços, também no fundo para fazer com que eles cheguem mais longe. Falaste de serviços gratuitos… fala-nos um pouco mais em concreto o que são e que tipo de pessoas é que vos chegam. Ou seja, são pessoas aqui da região? Já são solicitados para consultas online por gente de fora, como é que é?
Sim. Aquilo que nós fazemos online desde o princípio, fazemo-lo um pouco por todo o Mundo… neste momento, aquilo que fazemos são estas consultorias, ou seja, destas 3 grandes áreas: do exercício, que é a nossa grande área, o know-how da equipa residente; temos uma nutricionista que também nos dá este apoio; e alguém da parte da reabilitação. Para além disso, os nossos treinos passam em direto na internet… sejam os treinos dos adultos sejam os treinos das crianças, para além dos canais do Youtube e outros canais de comunicação que nós usamos de forma gratuita. Como resultado temos cerca de 9 a 10 mil visualizações mensais no site, sendo que na consultoria têm-nos chegado propostas desde o Japão, ao Brasil e ao Reino Unido (a maioria deles de língua portuguesa, mas temos tido também algumas propostas interessantes em espanhol e inglês a procurar o nosso know-how). 

Depois têm a componente do exercício e uma componente presencial de pessoas, que lhes chegam e que vem assistir às vossas aulas. Que tipo de aulas é que oferecem? E de tipo de pessoas é que estamos a falar? Já explicaste que inicialmente a população-alvo são as Funcionárias do Centro Social… não corresponderam a vossa espectativa. Que tipo de pessoas é que vos chegam, é gente de beja?

Sim. Neste momento, são esse atletas presenciais que sustentam este nosso conceito que chamamos social e não comercial. Ainda que seja um serviço low cost são estas pessoas que dão sustentabilidade. Temos o jovem adulto, que é o nosso grande ponto forte… que é o treino de alta intensidade. Esta temporada temos cerca de 300 atletas inscritos, não necessariamente todos pagantes, e depois temos crianças do pré-escolar (perto de 50), crianças do primeiro ciclo (perto de 15), temos também os diabéticos do Hospital, que são perto de 10, portanto, acaba por ser muito heterogéneo. Recentemente, lançámo-nos também na formação… o IPDJ credenciou o nosso know-how. Nós estamos a dar formação credenciada pelo IPDJ e já atingimos mais de cem formandos. Nesta dinâmica a Junta tem tido um papel muito importante no apoio à nossa oferta formativa.

Que tipo de apoio é que a Junta tem dado?
Essencialmente, quando começámos a fazer este tipo de formações, aqui no nosso espaço em Beja, ajuda com a parte da logística, as pastas, a divulgação… Temos agora apostado também em levar a nossa formação para o Algarve e aí tem sido essencial, nomeadamente, através do transporte que nos faculta para irmos fazer esta formação em terras algarvias (desde Odiáxere até Almancil/Olhão que é onde temos estado neste último ano).

André, já aí abordaste a questão da colaboração de terreno com a ULBSA e com o trabalho que fazem com estes doentes com diabetes. Exatamente, as pessoas chegam-vos e que tipo de exercício é que vocês lhes sugerem? E já é possível ver resultados na vida dessas pessoas, destes diabéticos em particular?
Nós acreditamos que sim, até porque procuramos sempre jogar com números e ter sempre os números à disposição… eles são alvo de uma avaliação da condição física. Tentamos ter estes canais de comunicação sempre muito próximos entre os seus clínicos… para saber o estado de entrada, a evolução da doença, dado que há determinadas patologias da doença que nós, eventualmente, não poderemos trabalhar com eles. Essencialmente, o que nos diferencia é o trabalho de força. Infelizmente, por um lado, o diabético é aconselhado a caminhar, a caminhar, a caminhar e nós consideramos que o caminhar eles podem fazê-lo sozinhos. Quando procuram um profissional do exercício, temos mais evidências que suportam o nosso trabalho, mais para oferecer, nomeadamente, este trabalho de musculação… que é exercitar o músculo de forma resistida e que tem efeitos muito benéficos e cientificamente comprovados. Para além da funcionalidade, porque são pessoas tendencialmente mais velhas e que têm uma tendência para perder a função dos membros inferiores e superiores… então, a nossa aposta, ou aquilo que nos diferencia, com os diabéticos é o trabalho de força (caminhar deixamo-los caminhar sozinhos, eles sabem, não precisam da nossa ajuda). 

Os vossos atletas, as pessoas que utilizam diariamente o FITSalvador, também são estimulados para participar em provas regionais/nacionais?  Estava a passar os olhos pela vossa página… também vejo muita atividade na rua, no campo.
É assim… Muitos dos nossos atletas nossos gostam e participam desses desafios. Não é nada que nÓs incentivemos, dado que nós achamos que o exercício tem que ser quanto baste, não consideramos que as pessoas devam viver escravas do exercício. Há um núcleo mais importante a que devemos dispensar atenção e tempo que é a família! O exercício deve ser quanto baste. Ainda assim, a nossa página serve para isso mesmo… para divulgar muito do trabalho que os nossos colegas fazem porque na cidade de Beja há muitos colegas a fazer diferente e bem, portanto, todos os espaços que oferecem exercício em Beja são de uma qualificação excecional (todos eles, ou na sua maioria, produto do IPBeja, portanto é um curso perfeitamente credenciado e com provas dadas).  A nossa página serve, muitas vezes, para isso… para promover  aquilo que os nossos colegas fazem, porque fazem muito e fazem bem, daí aparecerem provas ou promoções dos outros colegas dos ginásios, o objetivo é que haja maior prática do exercício.



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